Dr., não sei por onde começar.....notei que a maioria das questões que fazem aqui são relacionadas a sexo, sou bem resolvida nesse sentido, meu problema é maior e de dificil solução. Não consigo me enquadrar na minha vida, tenho um casal de filhos, minha filha mais velha tem 8 anos e sofre de uma doença genetica progressiva e por isso precisa de muitos cuidados, embora a doença não seja visivel a olho nu, ou seja, quem olha pra ela ve uma criança totalmente saudavel, ela é muito bonita, extrovertida, comunicativa, mas eu dia após dia me sinto cada vez mais distante dela, a voz dela esta me irritando, não consigo me aproximar dela, evito os carinhos que ela me direciona, e tbm não faço nela.
Sei que é duro pra ela, e isso esta me matando, pois me sinto muito culpada, não sei como agir nessa situação, me sinto presa a ela por causa da doença, sou obrigada a fazer td por ela, e faço td o que esta ao meu alcance, mas tirando o fato da doença, não tenho vontade de ficar perto dela. Sei que é coisa de criança, mas ela é teimosa demais, desobediente demais, arrogante, caracteristica que penso mas temo em dizer. Não sei onde isso vai parar, preciso aprender a aceitar a minha filha como ela é, mas isso esta se tornando insuportavel pra mim, de manha qdo tenho que acordá-la sinto meu coração acelerar e é de raiva, porque sei que ela vai levantar da cama e todos os problemas vão voltar. Tentei por diversas vezes mudar o meu comportamento, mas sempre volto para o mesmo lugar, isso esta me prejudicando muito e sei que a ela tbm, pois se sente rejeitada. Ja pedi pra ela tentar melhorar em algumas coisas, mas não muda.
Me sinto a pior das melhres, e qdo tento conversar com alguem as pessoas sempre me dizem a mesma coisa, "é coisa de criança" não aguento mais.
Me de uma luz....grata
Sheila, 32 anos | São Paulo SP 
Olá Sheila.
Eu a entendo. Imagino o quão sofrido deve ser para você... Mas quero começar dizendo parabéns a você por procurar ajuda. Não é um assunto fácil de lidar, e poucas pessoas a compreenderiam.
Eu precisaria de mais dados, mas falarei com base no que você passou.
Quando nos relacionamos com qualquer coisa como um objeto, carro, planta... e esse nos proporciona desprazer, problemas, gastos... nós tendemos a deixar de lado, tendemos a abandonar, afinal, não recebo nada de bom nessa relação. O oposto também é verdadeiro. Quando nos relacionamos com algo que nos dá prazer tendemos a nos apegar, cuidar, ficar mais tempo com aquilo... O mesmo se aplica nas relações com as pessoas. Porém, vivemos numa sociedade que cultua e tem como verdade absoluta alguns conceitos bem sedimentados como, “Fazei o bem e não olhai a quem”. “Mãe é mãe”. “Pau que nasce torto morre torto”. “Gay é coisa de sem-vergonha“... E nem vou entrar aqui no mérito e conceitos religiosos. Muitos desses conceitos escravizam as pessoas e geram muita angústia.
Eu percebi que acontece algo assim com você também. Como é mãe, jamais poderia sentir tal coisa pela sua filha. Eu não concordo com o conceito de que o amor de mãe é um sentimento incondicional. Haja vista as que jogam os filhos no lixo, no rio. Você é humana, tem sentimentos, e mesmo sento filha você pode ter sentimentos como os que está sentindo pela sua filha. Mas por favor, não a jogue no lixo.
Sheila é preciso investigar o que está acontecendo. Será que o sentimento que você tem por ela é só porque ela é rebelde? Porque tem essa doença? É provável que tenha outros motivos. Do modo como vocês se relacionam não vai dar certo. Vocês duas estão criando e mantendo uma configuração que é letal para a relação. Por exemplo, o que você acha que representa ou o que a sua filha está tentando comunicar com as rebeldias, desobediências, teimosia? Ela está dizendo: mãe, me aceite, me dê atenção, cuide de mim, me ame... Claro que esse não é um método adequado, mas é o que ela sabe fazer para ter sua atenção. Para piorar, quando você briga com ela por causa desses comportamentos dela, você está ensinando-a que ela precisa fazer coisas “erradas” para obter sua atenção. Sei que é difícil mudar, mas enquanto essa configuração for mantida, sua filha continuará assim. Desse modo, esse sentimento de raiva, irritação irá aumentar. É preciso que você mude seus comportamentos com ela, para então você ter respostas diferentes dela. Assim, vocês mudarão o modo como uma vê a outra.
Todas essas mudanças requererão muita dedicação da sua parte, não será fácil. Minha sugestão é que você procure um psicólogo para ajudá-la, pois esse profissional ajudará você a ver questões e situações que você não consegue ver, e tornar esse processo menos difícil.
Um abraço
Claudecy de Souza
Psicólogo – 06/69861
Terapeuta Sexual
Psicólogo Comportamental Cognitivo
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Pais e Filhos